O formato deste artigo é um pouco diferente dos já escritos anteriormente por aqui. Normalmente relatamos nossas viagens continente afora, conversamos sobre estratégias de estudo, falamos um pouco das possibilidades e bolsas de estudos existentes. No entanto, hoje será diferente. 

Trouxemos aqui histórias de três mulheres incríveis, as quais tivemos o prazer e a honra de conhecer e de alguma forma cooperar no decorrer de suas trajetórias. Conversamos um pouco com cada uma delas e condensamos informações que valem ouro para quem pretende estudar e/ou trabalhar fora.

Quer saber mais? Continua a leitura que tem muita informação relevante!

Quem são elas?

Bem, vamos às apresentações. Conversamos com Mariana Monteiro de Matos (32), Rosielle Diogo Pegado (40) e Thaina Souza (34).

Mariana mora atualmente na Alemanha e é pesquisadora do Departamento de Direito e Antropologia do Instituto Max Planck de Antropologia Social. Além disso, é docente da Faculdade de Direito da Universidade Martinho Lutero de Halle e da Universidade de Frankfurt.

Rosielle mora em Sumaré, SP. Atua como planejadora financeira e ensina como planejar, organizar e controlar o seu dinheiro, quitar as dívidas, poupar e investir. É autora do livro Maternidade e Finanças. Hoje, é representante Regional do interior de São Paulo na Associação de Educadores e Educadoras do Brasil (ABEEF).

Thaina reside em Berlim. Atualmente é bolsista da Fundação Arte e Música (Frankfurt-Alemanha) e tem como orientadora a KS soprano Brigitte Eisenfeld. É cantora lírica e professora de música. 

Rosielle no Altes Museum em Berlim

Trajetória Acadêmica

Mariana fez Direito pela Universidade Federal do Pará – UFPA (se especializando posteriormente em Direito Internacional e Direitos Humanos) e Secretariado Trilíngue.

Rosielle realizou dois cursos técnicos no Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET e logo engatou nos cursos de graduação em Engenharia Sanitária e em um mestrado em Engenharia Civil. Trabalhou como professora e pesquisadora. No finalzinho do mestrado, ela começou a pensar no processo que realizaria para fazer um doutorado em outro país. 

Thaina estudou canto no Conservatório Carlos Gomes, em Licenciatura em Música na Universidade do Estado do Pará – UEPA, na cidade de Belém, e se especializou em Composição Contemporânea pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Diplomou-se no Conservatório de Viena tendo como orientadora a renomada soprano brasileira KS Eliane Coelho e foi bolsista pelo Governo do Estado do Pará – Fundação Carlos Gomes. 

Idioma alemão como divisor de águas

Mariana começou a trilhar seus caminhos antes mesmo de entrar na universidade ainda no Pará. Desde a infância apresentava interesse por idiomas, o que foi um pontapé para a escolha do curso de formação no futuro. Quando iniciou os estudos de alemão  já havia concluído inglês, espanhol e francês. Diante disso, várias oportunidades surgiram e ela pôde escolher entre bolsas de estudo na Espanha e Alemanha.

A Fundação Konrad Adenauer, com sede localizada na cidade de Berlim,  abriu inscrições para seleção de candidatos para mestrado e doutorado  e com o nível de proficiência B1 ela se candidatou. Como nem tudo são flores, Mariana se debruçou sobre a mesa de estudos para em 4 meses partir de um alemão nível B1 para C1. Por meio de suas pesquisas realizadas durante sua estadia como mestranda, muitas portas se abriram: foi selecionada para estudar no Instituto Max Planck de Munique e na Universidade de Göttingen, optando pela segunda. 

Rosielle nos contou que um pouco antes de concluir o mestrado dela, começou a procurar um curso de idioma, pois sentia a necessidade de aprender algo mais, e com isso iniciou as aulas com o Professor Chico, aqui no IAGE. Foram dois anos de dedicação para o alcance da proficiência C1. Conseguiu então uma bolsa de doutorado através da KAAD – Katholischer Akademischer Ausländer-Dienst e Programa Ciências sem Fronteiras na área de Engenharia e Urbanização.

Nesse período, Rosielle foi para a Alemanha com sua filha pequena. Diante dos contratempos entre a vida acadêmica, maternidade e o processo de adaptação em um país totalmente diferente do Brasil, acabou condensando suas experiências e vivências no livro Maternidade e finanças, a fim de ajudar mulheres e mães a se programar para a criação de seus filhos com tranquilidade financeira.

Ainda durante sua formação técnica no Conservatório Carlos Gomes, Thaina teve contato com o idioma e achou fascinante o som preciso e enfático. Houve uma identificação imediata! Desde então teve o interesse em estudar, visto que também o repertório de canto lírico engloba o conhecimento deste idioma.

Soprana Thaina Souza

Dificuldades

Apesar de tudo parecer muito fácil aos ouvidos de quem escuta, Mariana relatou que se deparou com vocabulário técnico e super específico da sua área de atuação. Mas graças aos seus estudos contínuos, tudo deu certo e ela ainda foi convidada a realizar doutorado pela mesma instituição, além de receber convite para estágio de pesquisa nos EUA.

Perguntamos se ela encontrava alguma dificuldade ao se comunicar, já que mora em um país em que o idioma não é sua língua materna. Ela nos disse que como trabalha com pesquisa, está em contato direto com diferentes idiomas, principalmente escrevendo, seja em alemão, inglês ou francês. A barreira maior é o alemão “de rua”. Mariana mora na Saxônia, o que implica em alguns contratempos linguísticos por haver dialeto próprio nesta região. 

Rosielle menciona um ponto bem interessante quanto a tradução do alemão para o português, falou um pouco sobre as nuances de cada língua e como elas são percebidas apenas no processo de imersão, quando o indivíduo passa a compreender a mentalidade que está por trás do idioma. Apesar de estar no Brasil, ela estuda constantemente através de matérias jornalísticas. Está sempre antenada ao noticiário, até porque muitas tendências financeiras surgem inicialmente na Europa e ela pode antever o mercado nacional.

A perspectiva da Thaina foi bem peculiar, dada a profissão que ela exerce: “Sempre há desafios. É um aprendizado incessante. É sempre um “novo mundo” conforme o local em que estamos, o dialeto que se fala; as peças em questão (Opera, Lied, Opereta). Na área profissional há sempre muitos desafios. Na área pessoal já estou acostumada com a comunicação.”

Choque cultural 

Sobre aspectos culturais Mariana citou exemplos interessantes e que nos fazem refletir sobre as diferenças comportamentais de cada cultura, povo. A hierarquia é levada bem a sério em ambiente acadêmico, em uma sala de aula. Há formalidades ao falar com professores. Não existe a proximidade entre docentes e alunos que ocorre no Brasil, por exemplo.

Roselli citou aspectos como seriedade, organização e disciplina.  Ressaltou também a importância e respeito aos acordos tácitos, além de ter mencionado o clássico alemão: método. 

A pluralidade foi um ponto interessante mencionado por Thaina. Ela trabalha com muitos estrangeiros e afirma que há muitos aspectos culturais que interferem na forma como você lida com o idioma. 

Chave de ouro: dicas de veterano

Fizemos a pergunta clássica: “Se você pudesse dar um conselho para aqueles que querem estudar, pesquisar ou trabalhar em um país germanófono, qual seria?”. Se você chegou a ler até aqui, terá a oportunidade de obter informações que ninguém normalmente te dá. 

Mariana participando como visitante da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU)

“Se prepare psicologicamente para a migração”. Mariana mencionou que a maior preocupação dos estudantes/pesquisadores que pretendem migrar é única e exclusivamente com a preparação técnica: idioma, estudo. Mas esquecem do aspecto social e cultural que envolve essa mudança. O processo de adaptação é longo e exige flexibilidade daquele que se sujeita. E completa: “… você precisa não só se preparar tecnicamente, mas emocionalmente.’

Rosielle tem uma perspectiva mais calculista e enfatizou a importância de um bom planejamento financeiro. Sobre o idioma, pontuou: “nosso  B1 é o A0 deles”. Se preparar (culturalmente) ainda no Brasil, também é de suma relevância nesse processo. Pesquisar sobre aspectos culturais e consumir notícias do país podem ajudar.

Na mesma linha de raciocínio, Thaina aconselhou: “Estudar o idioma e inteirar-se com a cultura do país. Diria até mesmo que é de extrema relevância entender os aspectos sócio-culturais onde pretende-se trabalhar/estudar, para assim poder ultrapassar os desafios que se apresentam, sobretudo, nos momentos iniciais.”

1001 caminhos, 1 resultado

Foi muito recompensador poder reencontrar com essas mulheres e trazê-las como inspiração para muitas outras que buscam sucesso. São ex-alunas do Instituto Amazônico-Germânico que trabalharam (e continuam!) fortemente para alcançar seus objetivos profissionais!

É interessante perceber que são de áreas distintas do conhecimento.  São elas especialistas em música/canto lírico, direito e engenharia. Cada uma com sua motivação e anseios, mas a lição que fica é que não importa o caminho escolhido a ser percorrido: se há esforço, há resultado.

O IAGE agradece imensamente a disponibilidade da Mariana, da Rosielle e da Thaina para que esse bate-papo ocorresse e pudéssemos dividir essas histórias com vocês.

*Thaina Souza diplomou-se em Viena, Áustria.

Quer conhecer um pouco mais o trabalho dessas mulheres incríveis? Confira os links abaixo!

Thaina em apresentação no 55º Festival Música Nova “Gilberto Mendes”
Visite o site de Rosielle Pegado e conheça o livro que foi inscrito na Alemanha

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